9.05.2007

Livro: “SEMIÓTICA – Genealogias e Cartografias”


As Edições MinervaCoimbra lançaram o livro “SEMIÓTICA – Genealogias e Cartografias”, de Maria Augusta Babo e José Augusto Mourão.

De acordo com a editora, esta obra pretende fornecer uma arqueologia do signo e da representação que permita entender o processo mais lato da formação da semiose dentro e fora da linguagem e propõe, ainda, a cartografia dessa área de saber, através do traçado do mapa europeu e americano do seu desenvolvimento e da sua consolidação.

O século XX veio revelar o aparecimento de um pensamento semiótico forte, que tomou forma a partir de nomes como os de Saussure e de Peirce e que, configurado em movimentos ou escolas, instituiu um domínio no quadro das Ciências Sociais e Humanas: a Semiologia ou Semiótica. Trata-se, em síntese, de um mapeamento espacio-temporal que dê visibilidade aos pontos de emergência e de desenvolvimento da Semiótica e das suas metodologias de análise.

Não há uma Semiótica. Existem, antes, numerosas metodologias semióticas que têm em comum o reconhecimento de uma relação ou, mais exactamente, de uma complementaridade.

Por outro lado, a interdisciplinaridade da Semiótica abriu este campo à análise de novos objectos, na intersecção dos media e dos estudos de comunicação, por exemplo, ou ainda, na intersecção do texto e das artes.

“SEMIÓTICA – Genealogias e Cartografias” é o volume n.º 12 da Colecção Minerva Ciências da Comunicação, dirigida por Mário Mesquita.



8.30.2007

@C & Vítor Joaquim: “De-Tour”


People create music out of various reasons, and one is a fascination for sound. @C are such people. This duo, of Miguel Carvalhais and Pedro Tudela, play their music in a rather improvised way, at home or in concert.


They like to play with other people, and everything is recorded. The recordings are never released as is, but act as new building blocks for new compositions. Their “De-Tour” (“de” as in German) saw them play in various German cities, along with Vítor Joaquim (who joins them in Portugal too), but also Harald 'Sack' Ziegler on his horn, Pure on the laptop, Fried Dähn on the electric cello.


Everything was recorded and the CD that now lies in front of us, is the culmination of editing and recomposing. They do a fine job of cracking sounds, the laptop's working overtime here, but this is not just purely microsound of pure glitch: @C & Vítor Joaquim never loose the musical component out of sight here. It's rhythmic on all sides, voices are used, a bass line is never far away,but it's also built of glitches, hiss and noise.


Through their years of existence, @C have matured their playing and are confident improvisers on the laptop. When Sack's waldhorn comes in, things are just great. Very musical. Very nice work.


[CD by Feld Records]

Frans de Waard / Vital Weekly
Photo: R.R.

8.26.2007

Christian Renou: “Ex-Voto”


A new approach needs a new name. When Brume switched of the analogue machines and turned on the computer, Brume adopted is christian name, Christian Renou. You all know this of course, since music by Renou under his own name has been reviewed before. But I gather from the delivered notes that Renou wasn't too pleased with the results so far, although he doesn't tell us what exactly was wrong with them; we thought they sounded fine.

But listening to his new release, there are indeed some interesting differences to be spotted. The basic material was recorded in 2002 in a church, with Ilda von Gerart interpreting “Amazing Grace” on the violin. The violin is processed through the use of computers, and additional sounds from the church are taken in consideration.

Sometimes the electronics prevails and we are in total abstract landscape, but as soon as Renou allows the violin to join, things are getting... musical. Very musical indeed. To an extend which we haven't heard from him in ages, or perhaps even never. The sorrowing tune of “Amazing Grace” hacked together with sometimes crude, sometimes rhythmic processings thereof, making this a rather musical outing for monsieur Renou, and it's seems to these ears the right move and a line to be explored.


Frans de Waard / Vital Weekly
Photo: R.R.

8.23.2007

Fronte[i]ras07 - I Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares


Está já confirmada a lista de participantes que vão estar no Fronte[i]ras07 – I Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares, que se vai realizar entre os dias 17 de Setembro e 31 de Dezembro em Nodar, S. Pedro do Sul, Barcelos (PT) e Pontevedra (GZ – ES), com organização conjunta da Binaural e da Alg-a.


O evento inclui residências artísticas, performances, apresentações e conferências, assim como várias exposições.


Conceito: «O Fronte[i]ras07 – I Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares convoca múltiples lecturas posibles para o concepto de fronteira e límite, focalizando a análise non só na fronteira física, senón tamén sobre a súa representación en fronteiras ideolóxicas, culturais, psicolóxicas, virtuais, etc.»


Participantes: bojana bauer (rs/pt) azul blaseotto (ar) xelo bosch (es) madame cell (gz) rui costa & manuela barile (pt/it) vered dror (il) leila durán & arturo reboiras (gz) amaya gonzález (gz) mona higuchi (us) pedro jiménez (es) richard lerman (us) maria idília martins (pt/ve) ibrahima niang (mr) antónio pedro (pt) maksims shentelevs (lv) carlos suárez (gz/ve) Isabel valverde (pt)

8.20.2007

EDITORIAL: ANO I



Há um ano atrás, era publicada online uma entrevista ao mítico V2, entidade que lançou a campanha “Spread the Word”. Uma entrevista que resumia na sua temática e abordagem a linha editorial do blogue-zine que, influenciado pelo exemplo de webmedia referenciais como o Disinformation, nascia em Agosto de 2006 – o GPInformation.

Nascia, apenas, porque havia sido gerado anos antes, no seio do jornalismo independente, das fanzines, da informação não-mainstream e, também, da produção artística/sonora alternativa.

Um blogue-zine, porque não se trata de um blogue, no sentido tradicional do termo, mas também porque algo mais pessoal do que uma webzine. Um projecto pessoal que implica – para o bem e para o mal – pouco tempo disponível para a actualização desejável, mas também uma liberdade editorial total, sem limitações ditadas por hierarquias corporate ou dependências de publicidade, “tendências”, etc.

É a informação pela informação e, como alguém disse, “informação é poder”. A este nível, não será demais lembrar a disponibilização da lista de links para outros e diferentes projectos, que tenderá a aumentar cada vez mais.

Quanto ao GPInformation, o segundo ano que se segue não será de expansões ou (r)evoluções significativas. Seguirá o caminho a que se propôs, desenvolvendo-se de forma espontânea e procurando aprofundar os contactos e as colaborações que tem vindo a firmar com publicações, blogues, estruturas, artistas, colaboradores, simples curiosos.

Continuamos, desta forma, a incentivar colaborações de toda a ordem, sejam escritas, visuais ou sonoras.

No que concerne a conteúdos, e para além de artigos sobre diversas matérias (o post anterior prenuncia uma maior abrangência), está já confirmada para os meses que se seguem a publicação de entrevistas aos artistas sonoros Terre Thaemlitz, Masami Akita/Merzbow, Frans de Waard/Beequeen e Miguel Azguime. Entretanto, outros trabalhos estão já em preparação.

Por fim, são inevitáveis os agradecimentos (por ordem alfabética) a quem tem incentivado e colaborado das mais variadas formas com o GPInformation:
Álvaro Mendes, Artur Lasón, Asmus Tietchens, Alexander Scholz @ Sceen Magazine, Felix Kubin, Fernando Ferreira @ Mimi Records/Club Otaku, Frans de Waard, Henrique Vicente, Joel Haertling/Arquitects Office, Marc Urselli-Schärer & Maurizio Pustianaz @ ChainD.L.K., Nuno Fonseca/Blag, Richard van Dellen, Ruggero Maggi, Rui Farinha (correspondente GPI em Macau), V2.

O work in progress continua.

Nota: Para consultar o press-release oficial do GPInformation, publicado em primeira mão pela webzine italiana ChainD.L.K., aceda aqui.

Nuno Loureiro
Imagem: D.R.

8.04.2007

OPINIÃO: A NeoEuropa – «Um novo começo»

Nota introdutória: Este artigo marca o início da análise socio-política no GPInformation enquanto área temática, meta a que nos havíamos proposto no início deste projecto, mas que, por diversas razões, não tinha sido concretizada até ao momento. O tema em causa foi escolhido pela sua actualidade e pertinência, ou não tratasse do espaço geopolítico onde nos inserimos, e onde queremos contruir um futuro a todos os níveis melhor. Outros factos e dimensões se seguirão.

Num (muito bom) artigo sobre a obra de Zlavoj Zizek, publicado em Janeiro deste ano no então existente suplemento "Mil Folhas", do jornal "Público", é referido que, para o pensador esloveno, é imperioso «formular um novo começo» para a Europa, sob pena de esta se tornar «um destino para o turismo cultural nostálgico, sem verdadeira importância real».

A fragilidade das resoluções da recente Cimeira de Bruxelas, no que concerne à consolidação do projecto europeu, reflecte que de facto algo não está bem no caminho que está a ser seguido. Mas o que estará efectivamente mal? Tratar-se-á de um fenómeno circunstancial, ou de uma verdadeira falência de modelos?

A observação da actual conjuntura faz pensar nas palavras de Zizek, e nas críticas que faz à civilização capitalista global. No entanto, creio que a questão não passa por sequer equacionar a opção pelo regresso a sistemas historica e socialmente ultrapassados, e comprovadamente perversos.

Dessa forma, não estará na altura de reflectir sobre uma mudança de paradigmas? Uma verdadeira "terceira via"? É uma discussão complexa, até porque – reconheço – pressupõe uma visão utópica. Mas não é a História da Europa uma História de utopias, mais ou menos concretizadas?


Zlavoj Zizek


Mas voltemos à realidade, nua e crua. O facto é que, ao invés de seguir o seu próprio caminho, a União Europeia tenta-se adaptar a uma globalização ditada pela visão economicista que distorce a evolução própria de um mundo que é, efectivamente, novo. Isto, embora se arrogue ao direito de querer exportar o seu modelo, que – pelo que pode depreender – determinados sectores querem que, pura e simplesmente, deixe de existir.

O que está em causa não é o encerramento em torno de uma Europa-fortaleza ou da manutenção das coisas tal como estão. Trata-se de uma verdadeira e – como comprovado – necessária refundação identitária, numa conjugação de Cultura, Tecnologia e Ambiente, que conduza à NeoEuropa.

Nuno Loureiro
Fotografia: D.R.


6.19.2007

Fronteiras 2007. Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares


PRESENTACIÓN

Este evento consta dun programa de residencias artísticas paralelas en Galiza e Portugal. Proponse a posta en marcha de dúas residencias: unha en Nodar (pequena aldea ó norte portugués) e outra nos arredores de Pontevedra (Galiza).
Alí convivirán durante 10 días artistas internacionais, os cales desenvolverán os seus proxectos específicos, xunto con teóricos que neste tempo levarán a cabo un observatorio crítico.
Como resultado do traballo desenvolvido nas residencias, elaboraráse unha mostra colectiva dos participantes a nivel internacional. Esta mostra terá un carácter itinerante, comezando en Pontevedra para rematar en Portugal.
Para completa-lo simposio, programarase un ciclo de conferencias e proxeccións de proxectos audiovisuais ligados á temática proposta.

TEMA DOS PROXECTOS

O tema central da convocatoria de proxectos será o concepto de fronteira e límite, en tódalas súas variantes. A reflexión sobre os múltiples conceptos relacionados coa temática transfronteiriza, focalizando a análise non só na fronteira física, senón tamén a súa disolución en fronteiras ideolóxicas, culturais, virtuais, de habitabilidade, etc. Os soportes de creación serán libres.
Os proxectos serán expostos, ben no seu formato orixinal, ben nun formato _ documental se non fose posible trasladalos á sala expositiva. Os teóricos invitados en residencia desenvolverán traballos de investigación de campo sobre o concepto de fronteiras, que serán expostos en formato conferencia nas xornadas de presentación.

Lugar: Pontevedra (Galiza. España) / Nodar (S. Pedro do Sul. Portugal).
Data: Setembro / Outubro 2007
Organiza: Alg-a.org (Galiza) e Binaural (Portugal).
Formato: Simposio + residencia artística + exposición Fronte[ i ]ras 07.


5.26.2007

Pedro Carneiro: "Improbable Transgressions"



The marimba is an instrument I like very much, ever from the first time I heard Steve Reich's “Six Marimbas”. The wooden sound of it appeals to me a lot. So I am quite surprised to get this double CD with work by one Pedro Carneiro, who apparently is quite famous in the world of percussion players.

While looking on the net he found there is a whole bunch of people who take works by others and put them in a new jacket, the so-called ‘remix’, even when Carneiro refers to them as Sound Hackers. This inspired him to recorded nine improvisations on the marimba, which are dedicated to nine of these sound hackers, whom would all get a copy of the work to re-work. A lovely little idea, making the remix project into a hyper personal thing.

The only restrictions were to use just the sounds Carneiro recorded and to keep it within the seven to nine minute range. On the first disc, as said, nine strong improvisations. Carneiro has quite a loud style in playing the marimba, but he manages to make the various coloration's of the instrument possible. He's best when he plays a combination of louder and softer material right through eachother. I couldn't help thinking however what the possibilities were in terms of remixing. Over the lengthy course of this CD there is plenty of time of ponder over that - and the length is perhaps the disc's only problem.


The second disc is a bit more problematic. The first six contributions are too much ‘computer doodling' as far I am concerned. You know the drill: open a short sound file in some processing patch in Super Collidor, Max/msp or PD, and let the sounds bounce up and down the scale, change pitch, play backwards, stretch it out, make shorter. The first six don't do a very inspired job, except perhaps Ralf Wehowsky, who sounds alright and takes the material to a level further and João Pedro Oliveira, whose pieces could easily be on a Empreintes Digitalis CD, which is alright but a bit standard.

The final three pieces are the most interesting ones. Brandon Labelle has a completely vague description in the booklet as to what he does exactly but the result is a highly subdued piece of very soft spoken tones Ivan Franco plays a beautiful controlled ambient piece, in which traces of the original are used to collide with the processed sounds. Stephan Mathieu who takes on a Lucier like concept of recording and playing back on two ancient cassette machines, before layering the piece into a dense piece of gliding tones. So a really nice concept not always leads to a nice CD, as the efforts on the second disc are as far I'm concerned a bit half baked.

[CD by Sirr-ecords]

Frans de Waard / Vital Weekly
Photo + image: R.R.

5.20.2007

TRANSNATURA VIDEOLAB 2007


Está a decorrer até 16 de Junho, no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, a quarta edição do Transnatura Videolab.


O evento desdobra-se em dois itens programáticos distintos, embora complementares.

Com curadoria do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens da Universidade Nova de Lisboa, “Imagem Pensamento” integra um elenco programático associado a alguns dos pensadores mais influentes do século XX, onde se inclui Deleuze, Foucault e Derrida.

Já "Imagem-Corpo", com curadoria do Projecto Videolab, apresenta um conjunto de trabalhos na área do vídeo que se debruçam sobre uma das mais curiosas temáticas artísticas das últimas décadas: o corpo.

As sessões têm início agendado para as 21h30, em regime de entrada livre.


PROGRAMA:


(18 de Maio)

“IMAGEM CORPO” - ”Corpo Formal” (“IMAGE-BODY” - “Formalized Body”)

“Tela Humana" VIDEOLAB

“Corpo” o habitante (Portugal)

"Two Thousand Walls (A Song for Jayyous) PETER SNOWDON (Inglaterra)

“Manic Chinatown Bycicle” JEREMY SLATER (EUA)

“The Chase” FRODE KLEVSTUL (Noruega)

“Empieza por la a” JOHANNA REICH (Alemanha)

“Keyframe” ROBERTO ZITOLO (Itália)

“The Beach: (Closed Eyes. Strong Sunlight.)” STEVEN JONES (Inglaterra)

“Lurk” JEREMY NEWMAN (EUA)

“...” LAETITIA BOURGET (França)

“U.F.O” MOONA (Reunion Island)

“Black White” PRIYANKA DASGUPTA (Índia)

“Siempre” SOPHIE SINDAHL-INVERNESSE E MICHAEL LISNET (EUA)

(19 de Maio)

“IMAGEM-PENSAMENTO” (“Image-Thought”)

"D'ailleurs, Derrida" de Safaa Fathy – apresentação por Maria Fernanda Bernardo Alves

(25 de Maio)

"The Gospel According to Philip K. Dick" de Mark Steensland – apresentação por Jorge Rosa

(28 de Maio)

Ciclo de Vida, Ciclo de Cinema – apresentação por José Ferreira-Alves (Centro de Psicopedagogia da UC)

(1 de Junho)

“IMAGEM CORPO” - “Corpo Material” (“IMAGE-BODY”- “Material Body”)

(intro) “Bell” DIETMAR KRUMREY (EUA)

“The Cost of Living” DV8 PHYSICAL THEATRE (Inglaterra)

“Violin Phase” THIERRY DE MEY

“Le P’tit Bal” PHILIPPE DECOUFLÉ (França)

“Solo” THOMAS LOVELL BALOGH

(2 de Junho)

“IMAGEM-PENSAMENTO” (“Image-Thought”)

"Judith Butler, philosophe en tout genre" de Paule Zajdermann – apresentação por Ana Luísa Amaral

(6 de Junho)

"Zizek" de Astra Taylor – apresentação por Jacinto Godinho

(7 de Junho)

“IMAGEM CORPO” – “Corpo Transmutado” (“IMAGE-BODY” – “Transfigured Body”)

(intro) “Loud And Clear” DIETMAR KRUMREY (EUA)

“Ornamental” ANNA CHIARETTA LAVATELLI (EUA)

“Words as Adornments” NATHANIEL WOJTALIK (EUA)

“Love [Me] Tender” MARY BOGDAN (Canadá)

“Kip Masker” MARIA PETSCHNIG (Áustria)

“Entitled As” ARZU OZKAL TELHAN (TURQUIA)

“Mother’s Milk” AMELIA WINGER-BEARSKIN (EUA)

“Packaged Goods” LEAH MEYERHOFF (EUA)

“Gender Bender Hallo” ALISON WILLIAMS (África do Sul)

“Nothingness” ARZU OZKAL TELHAN (Turquia)

(8 de Junho)

“IMAGEM-PENSAMENTO” (“Image-Thought”)

"La Société du spectacle" de Guy Debord – apresentação por José Pinto

(9 de Junho)

"Deleuze – C(h)i pensa il cinema?" Curso em Vincennes – apresentação por José Gil

(15 de Junho)

"Foucault par lui-même" de Philippe Calderon e François Ewald – apresentação por António Fernando Cascais

(16 de Junho)

"Cremaster 3" de Matthew Barney – apresentação por José A. Bragança de Miranda



4.02.2007

Interview: Asmus Tietchens


Past.Present.Future

Asmus Tietchens is a name that requires no presentation for those who have being following the evolution of the most experimental spectrum of electronic music of the last three decades. More than an interview, GPInformation publishes a brief voyage through the career of one the most important german sound artists. The pleasure was all ours.

What can you tell about your latest work, "Zeta Menge"?
"Zeta-Menge" is the 6th one in an ongoing series of MENGEN
. On this CD I tried to create spatial structures without being "spacy". There is an acoustic foreground and an acoustic background. My main interest is the room between foreground and the background.

You developed with Thomas Köner the Kontact der Jünglinge project. What was the concept behind it? Was it an hommage to Karlheinz Stockhausen, or did it go beyond?
In a way the name Kontakt der Jünglinge is an hommage to the Big Karlheinz. But musically absolutely not. We never aimed to make electronic music like Stockhausen. Thomas and I enjoy to improvise live with preformed materials, we like to surprise each other in the live situation. So the most of our performances do not sound typical Köner or Tietchens. Much more we try to step beyond our own stylistical borders. By the way, we just began to record our first studio album.


Going back in the past, you started working during very prolific periods in the german musical contemporary history. Although having always a very strong identity, did you ever feel, in any way, affiliated with any movement or aesthetic, like - for instance - the "industrial" one?
Yes, in the early 80s, after my "Sky Period", I felt connected with the industrial movement. Remember, my first post-"Sky" records have been released on industrial labels like United Diaries and Esplendor Geométrico. But soon I found my own way, which differed more + more from the typical industrial attitude. Industrial was a very important and thrilling starting point for further developments in the direction of musique concrète and advanced electronic music.

On the other hand, you also were in contact with the Krautrock generation, isn't that right? Did you had any kind of relationship with it?
Not really. I never prefered that acid stuff
a la Klaus Schulze, TG etc. But there is one exception: In 1976 I was part of the group Liliental with Dieter Moebius (Cluster + Harmonia) and others. We recorded one album at Conny Planck's studio, which has been released in 1978 on the Brain label as "Liliental".

With such a long career, how do you see the current production, regarding electronic and experimental music? Has hedonism replaced conceptual thought? Does the avantgarde still exist?
The
avantgarde still exist, but luckily it is not the old avantgarde. A lot of new composers/musicians developed very carefully the genre of experimental electronic music. I do not think that hedonism replaced conceptual thinking. Of course there is a lot banal electronic stuff around, but in the same way serious approaches increased. The ratio of both is the same as it was in the early 80's, but nowadays we have more from both of them. These immense quantities make it difficult to separate the chaff from the wheat.

Electronics have passed from the "laboratories" (including at universities) to massified production. Do you find any significative changes in composition, from the technical point of view?
Of course the digital tools changed the compositional approaches of many musicians. As it did in the 80's when cheap synthesizers and cheap multi-track recorders became available. Now everone can buy good computers and useful software
for a handful of Euros. That's really democratic. And still you and I (the listeners) decide what we want to listen to. Maybe this answers the question of the quality.

What are your projects for the near future, concerning artistic and/or academic work?
Beside the above mentioned studio album with Thomas Köner, I prepare the next MENGEN album, "Eta-Menge", to be released by Line in this fall. And after a 12 years break I started again to experiment with the sounds of dripping water. So far I already recorded three new "Hydrophonien". Early next year
"Seuchengebiete 4" will be released on Die Stadt.

You were a professor of Sound Installations on the Hamburg Arts School, right? Do you still teach?
I am not a professor, but a lecturer. I teach sound design a
nd audio technology on the Hamburg University of Applied Sciences. I still do so.

In an interview once given to a portuguese publication ["Monitor", issue#1, June 1993 ], you stated that the "Marches Funébres" album was «total kitsch», which is a rather curious thought. Is that still your opinion?
Not the whole album is kitschy, oh no! Just "Grünschattiger Nachmittag". Yes, this piece is still big kitsch, it should have been a joke. The concept was to let Django dance the Bolero with schmaltzy strings and pathetic
drums. Didn't it work?



Nuno Loureiro
Photo + Image: R.R.

This interview is also available at Chain D.L.K.


3.14.2007

Christof Migone: "Trou"


The work of Christof Migone has been reviewed before in Vital Weekly, but it dealt always with one aspect of that work: the music, released on the compact disc that was reviewed.

Migone however is also a visual artist, and much of his work is shown in his home town Montreal, so its likely that you or me didn't see that work. Until now that is. With "Trou" we don't get the real thing, but it gives the idea. "Trou" is compiled by Nicole Gringas and is an exhibition of various Migone multimedia works, such as films, installations and sound work. I could try to explain what his work is about, but it would mean I would have to retype Gringas book. In short, many of the works by Migone deal with body, with sound and with language. The body farts, makes the sound of cracking bones (both of these were used to make music), but also produced the installation "Spit", which is a bottle of collected spit. Conceptual work, but it has a great visual and audio power.

To make things more complete this hardcover book has DVD of various works. Of these all of them, except "P" and "Surround (360 objects)" deal with the human body. In "Poker" we see two faces at the time and they are being 'touched' ('poked') for sound, which is kinda poetic. In "Snow Storm" dandruff produces the title and in "Evasion" we are confronted with the human tongue, but no doubt the small screen at home works less effective than the full screen in the gallery space. The films are quite short (ranging from less than a minute to twelve minutes), and open up the fascinating world of Christof Migone.

Still not the real thing, as the exhibition is the real thing, but it's a fine substitute.

[Book + DVD by Galerie De l"Uqam]

Frans de Waard / Vital Weekly
Photo: R.R.

2.15.2007

Banda desenhada independente

Sparkplug Comics
A Sparkplug Comics, sediada em Portland, tem-se constituído como uma das editoras de referência no cenário da banda desenhada indie norte-americana, percorrendo uma estética onde não são (de todo) estranhos nomes como Daniel Clowes ou Charles Burns.

Uma das séries que melhor serve de cartão de visita à Sparkplug é a retro “Tales to Demolish”, de Eric Haven, cujo segundo número tem o sugestivo título de “I Killed Dan Clowes” – um relato surreal e humorístico de como o autor mata acidentalmente os artistas Daniel Clowes e Adrian Tomine, que acabam por ser transformados por uma entidade superior em super-heróis sedentos de vingança.

"Mine Tonight"


Falando em Daniel Clowes, o autor de “Eightball” e “Ghost World” recomenda outra das edições desta editora, “Christina and Charles”, de Austin English, tecendo a seguinte consideração: «What (the tenth frame) is doing will yield interesting and worthwhile results». Uma opinião partilhada por diversas publicações especializadas, como o “The Comics Journal” ou a “Giant Robot Magazine”.

Referência ainda para outros lançamentos da Sparkplug Comics que merecem ser investigados, como “Mine Tonight", de Alixopulos, “Whatching Days Become Years”, de Jeff LeVine, ou a pequena maravilha gráfica que é “Asiaddicts”, de Mats!?, o retrato de pessoas e culturas resultante de uma viagem pela Tailândia, Laos e Cambodja.


“Whatching Days Become Years”

Armchair Comics

A Armchair Comics é uma editora independente de banda desenhada que surgiu sobretudo para publicar os trabalhos de Gavin Burrows, o seu fundador.

"Hell Awaits", "Hove Samson" ou a série "The Plot Thickens" são exemplos de publicações onde a sociedade britânica é criticada de forma mordaz e impiedosa, através de personagens que são caricaturas, por si só. Para quem gosta de BD com (in)consciência social.
[contacto: 37 Hollingbury, Park Avenue, Brighton BN1 7JG, England]

"The Plot Thickens"


Nate Powell
Nate Powell é o autor de "Walkie-Talkie", uma excelente banda desenhada composta pelas short-stories "Autopilot", "The Astronomers' Club" e "Daylight".

Melancólica no texto - «dedicated to everything that fell apart» -, fascinante na arte visual, esta é uma obra que toca a priori pela sua aparente simplicidade e autenticidade, o que não impede que as características exteriores se acabem por desvanecer na densidade das personagens e situações.

À semelhança de muitos outros artistas oriundos do circuito indie norte-americano, Nate Powell acabou por captar a atenção da indústria dos comics. Sobre o trabalho "Tiny Giants", a senior editor da Dark Horse Comics, Diana Schutz, diz o seguinte: «Nate Powell's "Tiny Giants" heralds the arrival of a fresh talent on the increasingly sophisticated American comics scene. With a wisdom beyond his years, Powell explores, in meticulous black and white, those all-too-gray questions most people choose to ignore».
[contacto: soophiebones@hotmail.com]

"Tiny Giants"


Insomniac Machine

A editora norte-americana Insomniac Machine (que reúne artistas provenientes dos EUA, Canadá, México, Europa e Indonésia) tem disponível, entre outras publicações, a série "Kouseki": a história de sete jovens guerreiros que protegem os cristais de Kouseki e combatem as forças do mal, em pleno Japão feudal.

Combates violentos, misticismo, samurais & monstros, tudo à boa maneira Manga.
[contactos: contactim@insomniacmachine.com / takami@insomniacmachine.com]

Nuno Loureiro
Imagens: © Sparkplug Comics / © Nate Powell

2.13.2007

Purple Tree Records



A Purple Tree Records é responsável pelo lançamento de diversos e promissores projectos da neue musik suíça, e não só.

Entre os elementos do catálogo desta editora, destacam-se os trabalhos de Negative Trip (curioso cocktail de hip-hop pós-moderno e vestígios de electrónica germânica), Suburban Skulls (som "sujo" e minimal, próximo de uma [est]ética "industrial") ou S.M.A.A.K (electrónica dançável). Já The Otiacs é uma pequena pérola neofolk.

O site da Purple Tree Records é um destino bastante aconselhável. Para além do catálogo e outros recursos já habituais, disponibiliza ainda videoclips, galeria de imagens, media-tips e dissertações sobre política e filosofia.


Negative Trip: "Honk Station" (vídeo)

S.M.A.A.K. feat. Rahel: "Covergood2" (vídeo)

The Otiacs: "Icon 4" (vídeo)



Nuno Loureiro
Fotos: Purple Tree Records




2.04.2007

Chris France


Desde o final da década de 1990 que o músico britânico Chris France desenvolve um (interessante, embora desconhecido) trabalho direccionado para os campos da arte sónica e das bandas sonoras futuristas. Isto, mantendo «diversas e radicais fusões entre correntes de tecnologia contemporânea» e formulando «uma regeneração única de composições transgénicas».

Com um currículo onde se incluem composições para produções multimédia e teatrais, Chris France tem vindo a concentrar os seus esforços na fusão de rotten jazz e subterranean lounge. Já viu os seus trabalhos publicados por editoras como a Iris Light, Rebel Sounds ou Being Creative, tendo faixas mp3 disponíveis no Peoplesound.com, embora a maioria da sua produção sonora (também materializada em projectos como ISVN ou Guinea Pig) seja sobretudo veiculada pela BZ Media, a sua própria etiqueta (não confundir com a empresa nova-iorquina de high-tech media).



Actualmente, Chris France está particularmente interessado em trabalhar na produção de instalações áudio e bandas sonoras para filmes.
[contacto: 20 Lakeside Gardens, Merthyr Tydfil, CF48 1EN, Wales, UK]

Nuno Loureiro
Fotos: D.R.


1.13.2007

The Lime Green Yellow Recording Company



Apesar de existir desde 1989, a
editora inglesa The Lime Green Yellow Recording Company continua a ser uma perfeita desconhecida em Portugal.

Pautado pelo ecletismo, o catálogo da LGY reúne um conjunto de projectos (maioritariamente britânicos) também pouco ou nada conhecidos, das electrónicas de Net, Ch... e Pan Techno Icon à pioneering frontier-pop dos Curtains ou a film music de... Film Music.

Em comum: a qualidade e identidade própria. A descobrir!


Curtains: "Fly to Work" (LGY 011 CD, 2000)

Pan Techno Icon: "Brawling in an Art Hangout" (LGY 005 CD, 1997)

Ch...: "Perfect Imperfect" (LGY 014 CD, 2000)

11.27.2006

MiMi Records


MiMi é uma netlabel que tem como objectivo divulgar o que se faz em Portugal e no Japão relativamente às novas tendências da música electrónica (electronica, i.d.m., glitch, noise, hardcore digital, experimentalismo). É, também, uma forma de troca de experiências musicais entre músicos dos dois países.

À frente do projecto, está Fernando Ferreira (que também integra a equipa do Clubotaku, uma e-zine dedicada ao anime/manga e cultura japonesa), que explica como tudo teve origem: «Tudo começou quando assisti a um concerto de música e dança tradicional japonesas, para comemorar os 460 anos de amizade Portugal-Japão, organizado pela Embaixada do Japão em Portugal. Depois do concerto, pensámos "porque não continuarmos esta amizade usando a nova música"? E assim nasceu a MiMi».


Até ao momento, a esmagadora maioria das edições da MiMi são em formato .mp3. A excepção é "Give the finger to spoiler's disk" uma compilação em CD-R, com edição limitada, que reúne vários (e variados) projectos japoneses.

11.16.2006

O caos italiano

O barulho das gotas de uma torneira, a linha própria de uma costa, o nosso ritmo cardíaco, a forma de uma nuvem... são fenómenos constantemente considerados como diferentes aspectos de um só universo complexo, o do caos.


Poder-se-ia compreender a complexidade da natureza, se esta fosse pensada enquanto algo que não é apenas casual ou acidental. «As nuvens não são esferas», como Benoit Mandelbrot, pioneiro nos estudos sobre o caos, adora referir. As montanhas não são cones, nem o relâmpago se propaga de forma linear. A geometria fractal reflecte um mundo profundamente irregular, que não é assim tão redondo, que é duro e não suave. É a geometria da ilusão. O caos reduz o tecido conectivo global da natureza a um único, embora complexo, sistema fractal.


Tudo isto tem vindo a ser “captado” pelos artistas: as evocativas paisagens chinesas mergulhadas numa total turbulência (nuvens, contornos de montanhas, formas vegetais...), as proporções – recorrentes a escalas geométricas precisas – de numerosos monumentos, tanto antigos como contemporâneos, Van Gogh e os seus fluxos de energia que interagem nas suas formas, as geometrias “maníacas” de Escher...


Por outro lado, o artista de hoje está consciente das inúmeras possibilidades da Arte Caótica. Este tipo de arte, através de meios de expressão próprios – fractal, pólos de atracção, turbulência – “mistura” sabiamente semelhança e dissonância, faz coexistir o mais duro dos componentes materiais com espírito Zen num eterno contraste. A repetitiva e geométrica linearidade encontrada na areia e a dureza de uma rocha num jardim fractal cósmico, microcosmo e emblema de um universo com o seu maravilhoso e, por vezes, indecifrável, CAOS.

Ruggero Maggi

Tradução: Nuno Loureiro

Excerto do press-relase da exposição colectiva “Italian Chaos”, gentilmente cedido pelo Milan Art Center (Itália)
Fotografias: D.R.

11.15.2006

Alexander Kluge

Non agressive society




Realizador, argumentista, produtor e autor. Nasceu em 1932 em Halberstadt, Harz, na Alemanha.
Formado em Direito nas universidades de Freiburg, Frankfurt e Marburg. É tido como o “padrinho” do Cinema Novo alemão. Incentivou jovens realizadores a rebelarem-se contra o moribundo estado do cinema alemão, depauperado pela Segunda Guerra Mundial. Um dos mentores do manifesto “Oberhausen” de 1962. Escreveu muito sobre Economia e Cinema. No Institut für Filmgestaltung em Ulim, influenciou o talento e a consciência de Wim Wenders e Edgar Reitz, entre outros.

Falamos, é claro, de Alexander Kluge
, que – a par de nomes como Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog, Margerethe von Trotta e Volker Schlöndorff – renovou o cinema alemão nas décadas de 1960 e 70, e ainda hoje.
Os seus filmes caracterizam-se por uma forte sátira às incongruências políticas, através de montagens e narrativas com um cunho avant-garde. A sua primeira longa-metragem, “Abschies von Gestern” (1966) ganhou oito prémios no Festival de Cinema de Veneza, nesse mesmo ano. O filme traça as características que moldam Anita G., uma jovem com pouca sorte para o amor.

Muitas das personagens de A. Kluge são mulheres face a sociedade a uma repressiva sociedade sexista, como no filme “Gelenheitsarbeit einer Sklavin” (1974), no qual uma rapariga vende salsichas embrulhadas em manifestos políticos aos trabalhadores. Os filmes deste realizador geralmente evocam os contrastes entre o passado e o presente da Alemanha, à luz de duas obsessões permanentes: o materialismo e o militarismo.

As suas obras não são facilmente entendidas pelas audiências americanas, embora retratem muitas vezes a dependência da Alemanha em relação aos E.U.A., tal como “Willi Tobler and the Decline of the Sixth Fleet” (1970). A sua específica sátira política pode parodiar quer com o marxismo, quer com o capitalismo. Aliás, para Alexander Kluge, as instituições submetem-se à sua própria autoridade até deixarem de servir os propósitos para que foram criadas. Chega mais longe, quando em filmes como “The Patriot” (1979) ou “The Candidate” (1980) ridiculariza a mediocridade dos que a toleram e a sustentam do alto dos seus cargos institucionais.

«A sociedade não serve as necessidades dos seres humanos», disse Kluge, «mas é tão inofensiva que não estimula uma luta directa». Por isso mesmo, é que os seus vilões são tão ineficazes como os seus heróis: por exemplo, Ferdinand, o bobo fascista em “Strongman Ferdinand” (1979).

É que o cineasta acredita que, mostrando-se absurdo, a consciência humana cai em si e procure ultrapassá-lo. Nesse sentido, os seus filmes começaram a tornar-se cada vez mais um retrato do absurdo, sem se tornarem inverosímeis aos olhos da história alemã. Ele disse: «Eu crio personagens históricos numa sociedade não histórica».

Miguel dos Santos Soares
Fotografia: D.R.

Entrevista: De Fabriek

A fábrica de sons


Iniciado no final da década de 1970, De Fabriek é um projecto que sempre apresentou uma personalidade única, apesar de todos os ventos de mudança conceptual que o atingiram durante três décadas. Balanço de uma longa carreira – em que colaborou com nomes como Conrad Schnitzler, The Klinik, Esplendor Geométrico ou P16.D4, entre muitos outros – nas palavras de Richard van Dellen, o seu principal operário.

Os De Fabriek nasceram no ano de 1977, em Zwolle (Holanda). Pode falar um pouco sobre o início do projecto e dos seus primeiros membros?
Eu tinha 25 anos de idade, na altura. O outro membro dos De Fabriek era Henry Mouwer, guitarrista de uma banda punk local, chamada The Vopos.
Antes de 1977 tínhamos o nome de Cyclon B Tapes. Éramos apenas duas pessoas!

Que bandas é que que vos influenciaram, na altura?
Kraftwerk, La Düsseldorf, Neu, Faust, Amon Düül, Cluster, Eno, Holger Zsukay, Harmonia, Popol Vüh, entre muitos outros.

Nos primeiros tempos dos De Fabriek, vocês utilizavam brinquedos para produzir sons, tendo chegado mesmo a fabricar os vossos próprios instrumentos. Como é que funcionavam as coisas, nessa altura?
Os nossos instrumentos de brincar vinham dos departamentos infantis dos grandes armazéns: eram pequenos e engraçados objectos, que emitiam sons do espaço e vozes no estilo Kraftwerk, e orgãos de plástico.
Quanto aos instrumentos feitos por nós próprios, estes eram, por exemplo, os crackle-synthesisers (kraakdozen, em holandês), que pareciam pequenas caixas de distorção com um só botão, ou outros instrumentos que soavam como um theremin estragado.

Ao longo de 30 anos de actividade musical, o som dos De Fabriek passou por várias e diferentes vertentes – do industrial ao funk ou mesmo acid-jazz, que se uniram num cocktail musical muito próprio. A intenção era essa, passar fronteiras?
Quanto a passar fronteiras, bem, se existem fronteiras, nós não as passámos porque não estávamos à procura delas. Na maior parte das vezes, nós tentamos fazer música espontaneamente e sem estar dentro de “compartimentos” musicais estanques.
Houve mesmo casos de editoras que nos pediram que fizéssemos temas dentro de determinados estilos. Nós rejeitámos muitas vezes esses pedidos, porque isso não nos diverte!

Os De Fabriek sempre foram um colectivo de vários músicos (“operários”), provenientes de backgrounds musicais diferentes. Gosta de trabalhar com todas essas pessoas?
Sim, acho que gosto de trabalhar com qualquer pessoa que também goste de trabalhar com os De Fabriek, sem excepções e sem modelos. Nós também não fazemos selecções. O som tem que vir dos dois lados, ou melhor, de três ou quatro lados diferentes. Nós odiamos modelos – se se quer fazer música experimental, tudo tem que ser livre.

Para além dos De Fabriek, tem algum projecto paralelo?
Eu nunca quis começar um novo projecto, com os mesmos objectivos mas com um nome diferente. Apesar disso, trabalhei num duo chamado Narwal, em conjunto com um amigo meu, que o começou há alguns anos. Este projecto já não existe.

Nuno Loureiro e Richard van Dellen
Fotografia: D.R.


10.09.2006

Abducted by aliens? Call now for compensation

BERLIN (Reuters) - A German lawyer hopes to drum up more business by pursuing state compensation claims for people who believe they were abducted by aliens.
«There's quite obviously demand for legal advice here», Jens Lorek told Reuters. «The trouble is, people are afraid of making fools of themselves in court».
Lorek, a lawyer based in the eastern city of Dresden who specializes in social and labor law, said he hoped to expand his client base by taking on the unusual work.
He has yet to win any abduction claims, but says there are plenty of potential clients, noting that extra-terrestrial watchdogs report scores of alien assaults every year. «These people could appeal for therapies or cures», he said.
Lorek, 41, is pinning his hopes for success on a German law which grants kidnap victims the right to state compensation.
Asked if he was worried he might look ridiculous by seeking justice for clients haunted by aliens, Lorek was unfazed. «Nobody has laughed about it up until now».