12.31.2007

GPInformation wishes you a...



Photo: R.R.




... Happy 2008!!!




OPINIÃO: Novos ares para a Europa?


«Os habitantes das cidades são, pelo menos no que se refere ao nível de financiamento da UE, cidadãos de segunda classe da União Europeia». Esta consideração, veiculada no ano passado pelo eurodeputado húngaro Gyula Hegyi – relator da Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar do Parlamento Europeu – refere-se a uma das questões de discussão mais urgente no âmbito do espectro político e da própria cidadania, até pelas suas implicações.

A verdade é que viver e trabalhar numa cidade é e continuará, se não forem tomadas medidas, a ser sinónimo de falta de qualidade de vida para o comum dos cidadãos. Os dados são inquietantes: segundo dados comunitários, na Europa dos nossos dias 360 mil pessoas morrem devido à poluição atmosférica. Se forem levados em conta factores como o tráfego automóvel excessivo, a escassez de espaços verdes ou o (ainda) insuficiente tratamento dos resíduos sólidos urbanos, então estes números são tudo menos de estranhar.

É de sublinhar o desafio lançado então por Hegvyi à Comissão Europeia (CE), ao propor que esta estabelecesse medidas como planos de gestão urbana sustentável, quotas de espaços verdes per capita nas cidades, promoção de transportes pouco poluentes e não-motorizados ou a introdução de taxas de congestionamento e de zonas de baixas emissões nas cidades com elevada poluição atmosférica. Para tal - convenha-se -, é também indispensável repensar o espaço urbano.




No que concerne à dimensão político-institucional do problema, esta discussão teve recentemente um desenvolvimento encorajador, com a CE a aprovar um conjunto de objectivos para a melhoria da qualidade do ar e contra a poluição atmosférica, com o intuito de aprovar uma directiva única (mais informação aqui). Algo que, ainda longe de concretizar a ambição (utópica?) de Gyula Hegyi, é importante, uma vez que muitos Estados-membros (Portugal incluído) não cumprem sequer os valores-limite previstos na legislação em vigor.

No entanto, apenas isto não chega. A inquietante constatação de que as metas lançadas em Quioto e reforçadas em Bali são ainda uma miragem leva a concluir que chegou a altura de poupar nas palavras de circunstância, tornando prioritário o investimento em medidas imediatas que conduzam, já numa perspectiva alargada às mais variadas dimensões, a um espaço europeu efectivamente ecológico, onde Ambiente, Tecnologia, Ciência e – porque não? – Economia sejam não apenas compatíveis mas verdadeiramente complementares.

Doa a quem doer, e com alguma atenção a quem sempre desprezou a ecologia e agora ostenta um discurso "verde", devidamente enquadrado em políticas de responsabilidade social e ambiental, enquanto sinónimo de votos e receitas.

Nuno Loureiro
Fotografias: D.R.



12.27.2007

People Like Us & Ergo Phizmiz: "Codpaste" podcast series





"Codpaste" is a free weekly podcast series presented to you by People Like Us & Ergo Phizmiz, who teamed up and, according to them, are trying to «compose collage music for you... with emphasis on the word "trying"».

So, they say that «it's reasonably rare that music is broadcast to you when it's not all finished, polished and dusted, but we're going to spew out the guts and gore to you, dear listener, so do bring a spoon».

Supported by Arts Council England and WFMU, this project presents audio sources, sketches, mixes and collages combining track elements with added instrumentation, electronics, vocals, etc., as well as fragments, layers, and multitracks of the collage compositions. Elements that are «tied together by snippets of light-hearted, tangential conversations and introductions and occasional mental overload and verbal meltdown».


"Codpaste" list:

Episode 1 - 3rd December 2007 - Cartoon Music

Episode 2 - 10th December 2007 - The Chase

Episode 3 - 17th December 2007 - Hooked On Classics

Episode 4 - 24th December 2007 - ThEdit


GPInformation
Photo: R.R.




12.23.2007

Entrevista: Ikue Mori




Recentemente, e no âmbito do festival Número Projecta '07, Ikue Mori visitou mais uma vez o nosso país e, desta vez, para um concerto diferente - três composições para três filmes mudos da cineasta Maya Deren. O ClubOtaku e o GPInformation tiveram o prazer de entrevistar um dos nomes mais importantes do panorama musical experimental e avantgarde do país do Sol Nascente.

Começou a carreira artística como baterista. Ainda toca?
Não toco bateria há mais de 15 anos e não tenho tido interesse em voltar a tocar, mas nunca se sabe o que poderá acontecer no futuro.

Para além dos detalhes técnicos, quais são as diferenças principais que pensa que existe entre tocar bateria e usar "máquinas"?

Em qualquer dos casos somos nós que as controlamos e, apesar das diferenças físicas óbvias, não existe qualquer tipo de forma de tocar com outros músicos/artistas.


Falando de "máquinas". Qual a sua caixa de ritmos favorita?

Desde há bastante tempo que uso uma Alesis drum machine. Usei também HR A, HR B e SR em simultâneo.


Tenko Eno, Zeena Parkins, John Zorn e Fred Frith são alguns dos nomes com quem já trabalhou ao longo desta longa carreira. Para si, quais são os factores mais importantes para que consiga trabalhar com outros artistas? Estamos aqui a falar de empatia artística?

Sempre que possível gosto de trabalhar com os amigos. Para mim, é muito mais importante a empatia e a comunicação artistica do que as questões técnicas.


Neste momento, está a trabalhar com alguém? Pode avançar alguns detalhes sobre os seus projectos recentes e futuros?
Tenho andado a desenvolver imagens para serem utilizadas em vídeo aliadas a sons.
Editei o primeiro DVD pela Tzadik. Realizei uma animação para umas pinturas antigas do Bali que conta a história de uma viagem do inferno para o paraíso.
Na música, terminei o segundo álbum do projecto Phantom Orchard, com a Zeena Parkins, e o meu outro projecto Mephista, com Sylvie Courboisier (piano) e Susie Ibarra (drums), regressou da terceira tourneé europeia. Ainda tenho os meus dois concertos para Março de 2008 na Japan Society.




De que forma pensa que viver entre os EUA e o Japão se reflecte no seu trabalho artistico?
É bom que existam estas distâncias para termos uma visão diferente das coisas.


Neste concerto tocou três composições para filmes mudos. Escolheu-os ou foi convidada para fazer a banda sonora para eles?
Originalmente este espectáculo foi comissariado pela Tate Modern (London). Lisboa ouviu falar deste projecto e convidou-me.


Mudando de assunto, alguma vez pensou em editar numa netlabel? Que opinião tem sobre as netlabels e qual pensa que será o seu futuro?
Neste momento não tenho nenhum interesse em editar em netlabels...


O que pensa de Portugal?
Já estive em Portugal bastante vezes e gosto muito do país.



Fernando Ferreira e Nuno Loureiro
Fotografias: D.R.


Entrevista também disponível no Niji Zine/ClubOtaku




12.18.2007

Ditterich von Euler-Donnersperg: "O Du Frohliche/O Tannenbaum Dub"


And of course, the days are short, the nights are long and we must celebrate the birth of our saviour again.

Christmas was no friend of mine. But there is one little bit of light in the dark days of Christmas: Meeuw Muzak releases another fine 7". By now I can spend at least half boxing day listening to the crazy Christmas tunes of Meeuw. The latest addition is by Ditterich von Euler-Donnersperg who has released some even more crazy music on his own Walter Ulbricht label and Die Stadt, with partly reading of texts and partly electronic music.

Here he offers two soft electronic music pieces, which are like snowflakes (of course it never snows in Dutch Christmas times). Almost kitchy and new age like on a super cheesy keyboard with all the wrong (and thus right) preset sounds, Ditterich is perhaps that great family man that such tunes under his Tannenbaum for a wealth of happy children, who start unwrapping their
presents as daddy finishes his tunes.

Great stuff, once again. I can't wait for Christmas with my Meeuw Muzak collection (isn't about time for a nice CD compilation, mister Meeuw).


[7" by Meeuw Muzak]

Frans de Waard / Vital Weekly
Photo: Meeuw Muzak


12.11.2007

De Fabriek goes the Hitmachine : “Het Terrein II”


If this is “Het Terrein II”, there must be a “Terrein I”, which I found in some blog (433.rpm.blogspot.com) being a cassette from the late 80’s by De Fabriek and Hands Minimal Arts. I have no idea why this title is now dusted off and used again, unless the process behind this is the same as the one before, but information is something that not well spends on De Fabriek, unlike their many releases.
After some thirty years it's hard to make any sort of discography by this Dutch “band” (?), let alone tell if they have anything to do with releases that carry the name De Fabriek. Confusing? Yes, sir, it is. Information on “Het Terrein II”? I'm sorry, sir, no such luck. “De Fabriek Goes The Hitmachine” is all it says, besides the label information.
There is however one track on the CD and not two. In a good solid forty minute mega mix (to use that 80’s phrase) we, the listener are taken for a ride through both music by De Fabriek and The Hitmachine, my local groupe extraordinary, who are like De Fabriek: always in for surprise. Who does what or when, who sat behind the controls when producing this, it's all quite unclear. I recognized elements of De Fabriek's “Neveleiland” release, the live rock elements no doubt come from The Hitmachine (as De Fabriek never plays live), but throughout it's hard to know what is the outsider rock/noise/pop of The Hitmachine, or the experiment/industrial/techno noise of De Fabriek.
It's like two chameleons in a room, changing colour, shape and size every time you look up. It's probably as much as a De Fabriek and The Hitmachine release. It even has a cover that strongly resembles a lot De Fabriek did – go figure that one yourself. And as per usual: limited to merely 300 copies only. Another pre-programmed collectors item.
[CD by EE Tapes]
Frans de Ward / Vital Weekly
Photo: R.R.


12.05.2007

Portefólio: Portraits of "A Longer Journey"










["A Longer Journey", Instalação de Pedro Cabrita Reis, Centro de Artes Visuais, Coimbra]

Fotografias: Nuno Loureiro (2003)






12.04.2007

Projecto: Camera 312 – Promemoria per Pierre



Pierre Restany, o fundador do Novo Realismo, foi um carismático crítico e livre-pensador que influenciou as ideias e o mundo da arte contemporânea.

Durante 30 anos, viveu no Hotel Manzoni, em Milão, no histórico quarto 312. Foi precisamente a decoração deste quarto que foi recriado na exposição/instalação colectiva “Floating Yellow Post-It ®”, o elemento basilar do projecto “Camera 312 – Promemoria per Pierre”, promovido entre Junho e Novembro passados pelo Milan Art Center, com coordenação do artista plástico italiano Ruggero Maggi, no âmbito da 52ª Bienal de Veneza.

Inaugurada por uma performance assente na interacção performer/música/vídeo, “Floating Yellow Post-It ®” – que procurava captar a atmosfera intimista do quarto 312, em todos os seus elementos –, era totalmente preenchida pelo tom amarelo, presente nas paredes, na mobília, no espaço envolvente do público. A intenção – frisa Ruggero Maggi – era providenciar a cada um dos artistas convidados uma forma «directa, colorida e fluxus» de deixar o seu próprio testemunho poético.


Fotografias: Cassaglia & Cerisola


Sobre a origem do projecto “Camera 312 – Promemoria per Pierre”, fica a explicação (pessoal e sentida) do seu mentor:

«The night I was told that Pierre Restany had passed away, I was suddenly and violently moved. I knew he was seriously ill, but his recent letters revealed confidence and hope. When I first met him, in the middle of the seventies, in Milan at Hotel Manzoni, I told him about my travel in the Peruvian Amazon. The world Amazon was the key word that immediately put us into a spiritual contact: he loved a lot that forest as well, and he deeply knew that world.

Since then we met many times and always our love for Nature came out. He was deeply fascinated by the eternal mystery of Nature, even if, in the years, he could perceive is most comprehensive essence only from the airplane, as he ironically used to point out in his letters. (…) After his death I thought I could honour him with this project, which is not only dedicated to him, it is centred around him».


Fotografia: Giorgio Pahor


12.02.2007

John Chirstopher Shillock: “Invisible Jazz”



Christopher Shillock is called the underground poet laureate of downtown Minneapolis. He has a BA in Spanish and a MA in philosophy. During the 1980’s he was active with various Communist and Anarchist groups in the Twin Cities.In 2003 Shillock received a Verve grant from SASE and the Jerome Foundation for hispoetry/video book "An Invitation to the Terrorists Ball".

Now that we know this, what about "Invisible Jazz"? It is a collection of poems by Shillock that areinspired on ancient Greece and Rome, medieval Paris, baseball, etc. Tabatha Predovich composed the songs, and both sing and perform the poems.

I can't judge on the poems, but the compositions are very conventional and without any originality. This means boring and completely outdated. They sound as middle of the road 70's pop music. I asked myself how on Earth it is possible that today this kind of music that sounds as if it is directly transplanted from the 70's is played by musicians in 2006. Strange for an anarchist to do so, if you ask me. Of course they merely serve as a vehicle for the poems and most of the poems deal with even more ancient times.

In that sense a coherent project.

Christopher Shillock



Dolf Mulder / Vital Weekly
Photo + image: R.R.