8.30.2007

@C & Vítor Joaquim: “De-Tour”


People create music out of various reasons, and one is a fascination for sound. @C are such people. This duo, of Miguel Carvalhais and Pedro Tudela, play their music in a rather improvised way, at home or in concert.


They like to play with other people, and everything is recorded. The recordings are never released as is, but act as new building blocks for new compositions. Their “De-Tour” (“de” as in German) saw them play in various German cities, along with Vítor Joaquim (who joins them in Portugal too), but also Harald 'Sack' Ziegler on his horn, Pure on the laptop, Fried Dähn on the electric cello.


Everything was recorded and the CD that now lies in front of us, is the culmination of editing and recomposing. They do a fine job of cracking sounds, the laptop's working overtime here, but this is not just purely microsound of pure glitch: @C & Vítor Joaquim never loose the musical component out of sight here. It's rhythmic on all sides, voices are used, a bass line is never far away,but it's also built of glitches, hiss and noise.


Through their years of existence, @C have matured their playing and are confident improvisers on the laptop. When Sack's waldhorn comes in, things are just great. Very musical. Very nice work.


[CD by Feld Records]

Frans de Waard / Vital Weekly
Photo: R.R.

8.26.2007

Christian Renou: “Ex-Voto”


A new approach needs a new name. When Brume switched of the analogue machines and turned on the computer, Brume adopted is christian name, Christian Renou. You all know this of course, since music by Renou under his own name has been reviewed before. But I gather from the delivered notes that Renou wasn't too pleased with the results so far, although he doesn't tell us what exactly was wrong with them; we thought they sounded fine.

But listening to his new release, there are indeed some interesting differences to be spotted. The basic material was recorded in 2002 in a church, with Ilda von Gerart interpreting “Amazing Grace” on the violin. The violin is processed through the use of computers, and additional sounds from the church are taken in consideration.

Sometimes the electronics prevails and we are in total abstract landscape, but as soon as Renou allows the violin to join, things are getting... musical. Very musical indeed. To an extend which we haven't heard from him in ages, or perhaps even never. The sorrowing tune of “Amazing Grace” hacked together with sometimes crude, sometimes rhythmic processings thereof, making this a rather musical outing for monsieur Renou, and it's seems to these ears the right move and a line to be explored.


Frans de Waard / Vital Weekly
Photo: R.R.

8.23.2007

Fronte[i]ras07 - I Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares


Está já confirmada a lista de participantes que vão estar no Fronte[i]ras07 – I Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares, que se vai realizar entre os dias 17 de Setembro e 31 de Dezembro em Nodar, S. Pedro do Sul, Barcelos (PT) e Pontevedra (GZ – ES), com organização conjunta da Binaural e da Alg-a.


O evento inclui residências artísticas, performances, apresentações e conferências, assim como várias exposições.


Conceito: «O Fronte[i]ras07 – I Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares convoca múltiples lecturas posibles para o concepto de fronteira e límite, focalizando a análise non só na fronteira física, senón tamén sobre a súa representación en fronteiras ideolóxicas, culturais, psicolóxicas, virtuais, etc.»


Participantes: bojana bauer (rs/pt) azul blaseotto (ar) xelo bosch (es) madame cell (gz) rui costa & manuela barile (pt/it) vered dror (il) leila durán & arturo reboiras (gz) amaya gonzález (gz) mona higuchi (us) pedro jiménez (es) richard lerman (us) maria idília martins (pt/ve) ibrahima niang (mr) antónio pedro (pt) maksims shentelevs (lv) carlos suárez (gz/ve) Isabel valverde (pt)

8.20.2007

EDITORIAL: ANO I



Há um ano atrás, era publicada online uma entrevista ao mítico V2, entidade que lançou a campanha “Spread the Word”. Uma entrevista que resumia na sua temática e abordagem a linha editorial do blogue-zine que, influenciado pelo exemplo de webmedia referenciais como o Disinformation, nascia em Agosto de 2006 – o GPInformation.

Nascia, apenas, porque havia sido gerado anos antes, no seio do jornalismo independente, das fanzines, da informação não-mainstream e, também, da produção artística/sonora alternativa.

Um blogue-zine, porque não se trata de um blogue, no sentido tradicional do termo, mas também porque algo mais pessoal do que uma webzine. Um projecto pessoal que implica – para o bem e para o mal – pouco tempo disponível para a actualização desejável, mas também uma liberdade editorial total, sem limitações ditadas por hierarquias corporate ou dependências de publicidade, “tendências”, etc.

É a informação pela informação e, como alguém disse, “informação é poder”. A este nível, não será demais lembrar a disponibilização da lista de links para outros e diferentes projectos, que tenderá a aumentar cada vez mais.

Quanto ao GPInformation, o segundo ano que se segue não será de expansões ou (r)evoluções significativas. Seguirá o caminho a que se propôs, desenvolvendo-se de forma espontânea e procurando aprofundar os contactos e as colaborações que tem vindo a firmar com publicações, blogues, estruturas, artistas, colaboradores, simples curiosos.

Continuamos, desta forma, a incentivar colaborações de toda a ordem, sejam escritas, visuais ou sonoras.

No que concerne a conteúdos, e para além de artigos sobre diversas matérias (o post anterior prenuncia uma maior abrangência), está já confirmada para os meses que se seguem a publicação de entrevistas aos artistas sonoros Terre Thaemlitz, Masami Akita/Merzbow, Frans de Waard/Beequeen e Miguel Azguime. Entretanto, outros trabalhos estão já em preparação.

Por fim, são inevitáveis os agradecimentos (por ordem alfabética) a quem tem incentivado e colaborado das mais variadas formas com o GPInformation:
Álvaro Mendes, Artur Lasón, Asmus Tietchens, Alexander Scholz @ Sceen Magazine, Felix Kubin, Fernando Ferreira @ Mimi Records/Club Otaku, Frans de Waard, Henrique Vicente, Joel Haertling/Arquitects Office, Marc Urselli-Schärer & Maurizio Pustianaz @ ChainD.L.K., Nuno Fonseca/Blag, Richard van Dellen, Ruggero Maggi, Rui Farinha (correspondente GPI em Macau), V2.

O work in progress continua.

Nota: Para consultar o press-release oficial do GPInformation, publicado em primeira mão pela webzine italiana ChainD.L.K., aceda aqui.

Nuno Loureiro
Imagem: D.R.

8.04.2007

OPINIÃO: A NeoEuropa – «Um novo começo»

Nota introdutória: Este artigo marca o início da análise socio-política no GPInformation enquanto área temática, meta a que nos havíamos proposto no início deste projecto, mas que, por diversas razões, não tinha sido concretizada até ao momento. O tema em causa foi escolhido pela sua actualidade e pertinência, ou não tratasse do espaço geopolítico onde nos inserimos, e onde queremos contruir um futuro a todos os níveis melhor. Outros factos e dimensões se seguirão.

Num (muito bom) artigo sobre a obra de Zlavoj Zizek, publicado em Janeiro deste ano no então existente suplemento "Mil Folhas", do jornal "Público", é referido que, para o pensador esloveno, é imperioso «formular um novo começo» para a Europa, sob pena de esta se tornar «um destino para o turismo cultural nostálgico, sem verdadeira importância real».

A fragilidade das resoluções da recente Cimeira de Bruxelas, no que concerne à consolidação do projecto europeu, reflecte que de facto algo não está bem no caminho que está a ser seguido. Mas o que estará efectivamente mal? Tratar-se-á de um fenómeno circunstancial, ou de uma verdadeira falência de modelos?

A observação da actual conjuntura faz pensar nas palavras de Zizek, e nas críticas que faz à civilização capitalista global. No entanto, creio que a questão não passa por sequer equacionar a opção pelo regresso a sistemas historica e socialmente ultrapassados, e comprovadamente perversos.

Dessa forma, não estará na altura de reflectir sobre uma mudança de paradigmas? Uma verdadeira "terceira via"? É uma discussão complexa, até porque – reconheço – pressupõe uma visão utópica. Mas não é a História da Europa uma História de utopias, mais ou menos concretizadas?


Zlavoj Zizek


Mas voltemos à realidade, nua e crua. O facto é que, ao invés de seguir o seu próprio caminho, a União Europeia tenta-se adaptar a uma globalização ditada pela visão economicista que distorce a evolução própria de um mundo que é, efectivamente, novo. Isto, embora se arrogue ao direito de querer exportar o seu modelo, que – pelo que pode depreender – determinados sectores querem que, pura e simplesmente, deixe de existir.

O que está em causa não é o encerramento em torno de uma Europa-fortaleza ou da manutenção das coisas tal como estão. Trata-se de uma verdadeira e – como comprovado – necessária refundação identitária, numa conjugação de Cultura, Tecnologia e Ambiente, que conduza à NeoEuropa.

Nuno Loureiro
Fotografia: D.R.